Analisei a partida Eriksson, Anna 0-1 Ratcu, Tatiana. Por todo o tempo, tive a impressão de que Eriksson estava buscando apenas um empate. Há muitos, muitos anos, a mãe das irmãs Farhat me disse que quem busca um empate acaba perdendo. Verifiquei isso experimentalmente. Também verifiquei uma extensão disso: quem estuda para tirar 5.0 não o consegue. De volta a Eriksson-Ratcu, este jogo não fugiu à regra: as brancas perderam (devido a uma combinação bem legalzinha, diga-se de passagem!). Jogo tranquilo e lógico até o movimento de número 9. Este 9. Nf5 não faz nada! Não ameaça, não protege... e ainda abre uma brecha para as pretas jogarem 9... g6 e seguirem com o bispo fianchettado (que me parece superior, atacando diretamente no centro, do que um passivo Be7). O lance 11. Nce3 foi outro de que não gostei. Eu prefiro 11. Be2, permitindo o roque, ou, quem sabe, até mesmo 11. o-o-o. Para esta segunda opção, no entanto, seria necessária uma análise bem mais detalhada, já que temos uma dama em a5 e um peão em b5 que podem facilitar um ataque. O lance jogado (11. Be2) facilita o roque da ala da dama, porém realmente não me agrada o bispo preso em f1... Preciso estudar melhor a linha, talvez seja comum esta posição. À primeira vista, no entanto, eu não jogaria dessa forma. As pretas trocaram a dama, fazendo recuar o bispo branco. Roques de lados opostos, chamando para um jogo de ataques. As brancas iniciam seu avanço de peões na ala do rei. Pretas diminuem a tensão no centro. Muitas trocas acontecem, melhorando a posição dos bispos pretos, ambos em fianchetto. Eu, de brancas, não teria trocado tantas peças menores, especialmente tendo o peão de 'e' isolado. O Crafty concorda comigo e prefere 17. fxe4. Mas ele não gosta de 18... Ne5 (que eu jogaria!), preferindo 18... Nf6. Para 20. Nf3, ele calcula -1.61, preferindo 20. Nb3. Apesar das pequenas imprecisões, o jogo seguiu de forma natural até o lance 22. Já 23. c3 foi um erro grave, entregando a partida... O erro poderia ser explorado com 23... Rxd3, porém Ratcu só viu o tático no lance seguinte. Em lugar de 23. c3, deveria ter sido jogado 23. b3. Ratcu respondeu com 23... Rfe8, dando às brancas a oportunidade de escapar. Embora continuassem inferiores, 24. Bc2 exigiria mais luta por parte das pretas (-1.62 é uma boa vantagem, porém ainda haveria muitos lances pela frente). As brancas erraram novamente com 24. g4, e o segundo erro de Anna não foi perdoado: 24... Rxd3, levando as brancas ao abandono imediato. Crafty avalia o jogo em -6.78.Meu desempenho em tática ainda está sofrível, porém hoje tive outra ridícula melhora. Consegui o incrível score de 14A16E, ihul! Quase 50%. Se a cada dia eu melhorar 1/30, em breve estarei boa. :-) Para finalizar, um pouco de Nimzo. Eu trouxe o "Meu Sistema" e o "Xadrez Básico" para São Paulo. Diferentemente dos livros da faculdade, eles não vêm a passeio, mas a trabalho. Hehehe. :) Terminei a teoria do Nimzo sobre as cravadas, agora me faltam somente as partidas para encerrar o capítulo. São três, de modo que no final do décimo ciclo é que eu devo encerrá-lo. O próximo tema é o xeque descoberto, cujo capítulo é super curto. Até lá, deixe-me aproveitar as cravadas, já que há pouquíssimo tempo eu me lamentei que não as via jamais, hehehe. :) |